>Explicando Tolkien

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KYRMSE, Ronald. São Paulo: Martins Fontes, 2003

Considerado um dos maiores, senão o maior, especialista na literatura de Tolkien em terras brasileiras, Ronald Kyrmse demorou décadas para convencer a si mesmo de que deveria escrever um livro sobre o Professor, para ajudar as novas gerações a compreender melhor a força e a complexidade que emanam da obra do autor de “O Senhor dos Anéis”.

Em “Explicando Tolkien”, Kyrmse não se limita a cumprir o que diz o título do livro. Além de explicar vários dos elementos formadores da ficção Tolkieniana, o autor monta um verdadeiro quebra-cabeças, abordando os aspectos mais diversos em que essa ficção se desdobrou. No capítulo “Mitos em Três Dimensões”, por exemplo, Kyrmse realiza uma leitura das obras que se passam na Terra-média explorando três das formas com que Tolkien deu uma enorme aparência de realidade ao universo ficcional que criou: a Diversidade, a Profundidade e o Tempo.

Vale a pena ler “Explicando Tolkien” para compreender melhor o porquê do fascínio que “O Senhor dos Anéis” e outras obras do Professor despertam em nós.

Trecho:

Este livro trata, na verdade, da Árvore de Tolkien. Essa denominação, que pessoalmente aprecio muito, deriva de um conto de J. R. R. Tolkien que muitos tomam por uma metáfora de sua própria obra. Segundo o próprio autor, foi escrito em 1938-39,

“quando o Senhor dos Anéis estava começando a se desenrolar e a desdobrar perspectivas de labuta e exploração em uma região ainda incógnita, tão assustadora para mim como para os hobbits. Mais ou menos nessa época havíamos chegado a Bri, e eu não tinha então mais idéia do que eles do que acontecera a Gandalf, nem de quem era Passolargo; e começara a desesperar-me de sobreviver para descobrir. […]

A história só foi publicada em 1947 (Dublin Review). Não foi alterada desde que tomou a forma de manuscrito, muito depressa, certo dia, quando acordei com ela já na mente. Uma de suas fontes foi um álamo de grandes ramos que eu conseguia ver mesmo estando deitado na cama. Foi subitamente podado e mutilado pelo dono, não sei por quê. Agora está derrubado, uma punição menos bárbara para quaisquer crimes de que possa ter sido acusado, tais como ser grande e estar vivo. Não acho que tivesse algum amigo, ou alguém que o lamentasse, exceto por mim e um par de corujas (Tree and Leaf).”

Resenha de Rosana “Shelob”, que é membro da Toca SP do CB desde 2001.


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