>A Hora das Bruxas

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Rice, Anne
Rio de Janeiro: Rocco, 1994

Livro excelente! Muito bem escrito, com um pano de fundo muito bem elaborado.

O livro se divide em duas partes: a primeira é da apresentação dos personagens, girando em torno da família Mayfair, da Louisianna. Alguns vão sumir, só serviram para dar um ponto de vista sobre a família; e outros vão continuar. A história é muito bem desenvolvida, com muito suspense.

A segunda parte é um relatório sobre a família Mayfair, a história dela, onde aprendemos que se inicia desde o século XVII, com uma mulher que se considerava bruxa, e continua até os dias de hoje, ou melhor, até o fim dos anos 80 do século passado…

Uma história sensacional, sem dúvida.

Trecho:
Por que os pátios das quatro estalagens da cidade estavam lotados de cavalos e carruagens? E por que tanta gente se alvoroçava, falava e apontava para a janela alta e gradeada da prisão acima do palanque e depois para a horrenda pira?
Teria algo a ver com a festa de São Miguel, que seria no dia seguinte?
Não houve uma pessoa a quem eu perguntasse que hesitasse em me esclarecer que tudo aquilo não tinha nada a ver com o santo, embora essa catedral fosse a ele dedicada, a não ser que houvessem escolhido o seu dia para melhor agradar a Deus e a todos os seus anjos e santos com a execução da bela condessa que deveria ser queimada viva, sem direito a ser estrangulada antes, de modo a servir de exemplo para todas as bruxas das redondezas, que eram inúmeras, embora a condessa não houvesse denunciado absolutamente nenhuma das suas cúmplices mesmo submetida a torturas indescritíveis, tão forte era o poder do demônio sobre ela. Mas os inquisidores iam descobri-las de uma forma ou de outra.

Resenha de Patrícia “Fimbrethil”

>A Metamorfose

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Kafka, Franz. Rio de Janeiro: Ediouro/ São Paulo: Publifolha, 1998

Surrealismo, Ficção Absurdista, Realismo Mágico… Muitos rótulos têm sido aplicados à literatura da Franz Kafka. Esse autor tcheco de origem judaica, que escrevia em alemão, compôs uma obra em que abundam os símbolos e as inquietações da vida moderna, muito embora tenha vivido apenas de 1883 a 1924. Em A Metamofrose, ele nos apresenta um pesadelo tornado realidade para o personagem Gregor Samsa, transformado em barata. E se as implicações e complicações da vida real forem tanto, ou mais assustadoras do que as imagens aterrorizantes dos pesadelos? Neste livro, além da incrível história de Samsa, temos ainda ou outro conto de Kafka, Um Artista da Fome, em que conhecemos uma situação absurda e que tem estreita relação com os reality shows da época atual: um homem pratica o jejum profissionalmente, como parte de um espetáculo público. Seja nessa história, ou na incrível aventura do homem-barata, não se pode negar que Kafka é um autor nascido no século XIX mas que continua muito atual neste século XXI…

Trecho: Quando certa manhã Gregor Samsa despertou, depois de um sono intranquilo, achou-se em sua cama convertido em um monstruoso inseto. Estava deitado sobre a dura carapaça de suas costas, e ao erguer um pouco a cabeça viu a figura convexa de seu ventre escuro, sulcado por pronunciadas ondulações, em cuja proeminência a colcha mal podia aguentar, pois estava visivelmente a ponto de escorregar até o solo. Inúmeras patas. Lamentavelmente esquálidas em comparação com a grossura comum de suas pernas, ofereciam a seus olhos o espetáculo de uma agitação sem consistência.

– Que me aconteceu?

Resenha de Rosana “Shelob”, que é membro da Toca SP do CB desde 2001.

>Náufragos, Traficantes e Degredados

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Bueno, Eduardo. Rio de Janeiro: Objetiva, 1998

A realidade, às vezes, pode ser tão fascinante quanto a ficção. Ou mais. E isso é que o autor Eduardo Bueno está provando, com sua série de livros sobre a história do Brasil. Neste Náufragos, Traficantes e Degredados temos o início da saga da colonização de nossas terras pelos portugueses. De 1500 a 1531, aventuras inacreditáveis se deram em nossas terras, com personagens cujos nomes conhecemos – Colombo, Cabral, Américo Vespúcio, e outros menos falados, como Gonçalo Coelho, Pedro Annes, Melchior Ramires. Uma saga incrível, que daria para rechear não um, mas vários filmes épicos, com direito a estratégias, batalhas, traições, amores. De Vasco da Gama ao Padre Manuel da Nóbrega, de Fernando e Isabel de Espanha a João Ramalho e sua amante Bartira, este mergulho na nossa história não fica devendo nada à ficção!

Trecho: Nessa ilha, no mesmo dia ou no seguinte, Diego Garcia encontrou um dos personagens mais sombrios da história do Brasil – o homem a quem ele chamou de o Bacharel de Cananéia. Não se sabe quem esse homem era, nem como ou quando havia chegado ao Brasil. Sabe-se, isso sim, que se tornara uma espécie de rei branco vivendo entre os índios; que tinha pelo menos seis mulheres, mais de 200 escravos e mais de mil guerreiros dispostos a lutar por ele; que era temido e respeitado por todas as tribos costeiras desde São Paulo até Laguna e que não havia quem ousasse desafiar o seu poder. O Bacharel de Cananéia era o virtual senhor do litoral sul do Brasil.


Resenha de Rosana “Shelob”, que é membro da Toca SP do CB desde 2001.

>A Volta ao Mundo em 80 dias

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Verne, Júlio. Tradução de Vieira Neto. São Paulo: Hemus, s/d

O inglês Fíleas Fogg levava uma vida metódica, sempre igual. Até o dia em que uma aposta maluca o leva a sair em viagem, tentando provar que se poderia dar a volta ao mundo em apenas oitenta dias! Junto com seu criado, o francês Passepartout – que nesta tradução é chamado pelo apelido Fura-vidas –, eles se metem em dezenas de encrencas, pois além de ter de lidar com o imprevisto em todos os cantos do mundo, para chegar a tempo e ganhar a aposta, eles são perseguidos por um policial que quer prendê-los a todo custo! Obra do francês Júlio Verne, escrita no século XIX.

Trecho: Fíleas Fogg estava na prisão. Haviam-no encerrado em dependência da Alfândega de Liverpul, e devia passar ali a noite, à espera de ser transferido para Londres. No momento de sua detenção, Fura-Vidas quis lançar-se sobre o detetive Fix, mas os policiais impediram-no. Fura-Vidas explicou a Aouda, que, além de inquieta, estava aterrada. Fogg, aquele valente e honrado cavalheiro, a quem ela devia a vida, estava detido como ladrão… As lágrimas sulcaram as faces da jovem, quando viu que nada podia fazer para socorrer o seu salvador. Quanto a Fix, tinha detido Fogg, fosse ou não culpado, porque era esse o seu dever. A Justiça decidiria.

Resenha de Rosana “Shelob”, que é membro da Toca SP do CB desde 2001.

>Harry Potter e a Pedra Filosofal

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Rowling, J. K. Tradução de Lia Wyler. Rio de Janeiro: Rocco, 2000

Esta é primeira aventura do garoto inglês Harry Potter, que daria início a uma saga literária e a uma série de filmes cujo sucesso de público, tanto dos leitores como dos fãs de cinema, surpreendeu o mundo e tornou Joanna Kathleen Rowling uma das mulheres mais ricas do mundo.

Em Harry Potter e a Pedra Filosofal, temos a introdução da história do menino que descobre ser descendente de uma linhagem de feiticeiros, e não uma pessoa comum como imaginava; os comuns, muggles no original, e chamados trouxas em português, não apenas não possuem poderes mágicos mas, na maioria, não acreditam em magia ou feitiços. Apesar disso, o mundo desses portadores de poderes existe paralelamente ao nosso, com os magos e feiticeiros disfarçando os vestígios de sua existência, enquanto nós, pobres muggles, vivemos na ignorância desse mundo que, sem dúvida, é maravilhoso; mas esconde também poderes sinistros e perigos incontestáveis.

Vemos como Harry, aos 11 anos, descobre sua verdadeira origem; conhece a verdade sobre a morte de seus pais; inicia sua vida escolar na escola de Hogwarts; e, com a ajuda dos amigos Ronald Weasley e Hermione Granger, sob os auspícios do mago Dumbledore e entre as ameaças do maligno, embora desaparecido, Voldemort, aquele-que-não-deve-ser-nomeado, investiga o mistério da Pedra Filosofal.

Trecho: Harry acordou cedo na manhã seguinte. Embora soubesse que já era dia, continuou com os olhos bem fechados. “Foi um sonho”, disse a si mesmo com firmeza. “Sonhei que um gigante chamado Rúbeo Hagrid veio me dizer que eu ia para uma escola de magia. Quando abrir os olhos estarei em casa no meu armário.”
De repente ouviu um ruído alto de batidas.
“É a tia Petúnia batendo na porta!” pensou Harry, desanimando. Mas, ainda assim, não abriu os olhos.Tinha sido um sonho tão bom.
Bum. Bum. Bum.

– Está bem – resmungou Harry. – Já estou levantando.
Sentou-se e o pesado casaco de Hagrid escorregou de seu corpo. O casebre estava inundado de sol, a tempestade passara, o próprio Hagrid estava dormindo no sofá desmontado e havia uma coruja batendo com a garra na janela, trazendo um jornal no bico.

Resenha de Rosana “Shelob”, que é membro da Toca SP do CB desde 2001.

>Explicando Tolkien

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KYRMSE, Ronald. São Paulo: Martins Fontes, 2003

Considerado um dos maiores, senão o maior, especialista na literatura de Tolkien em terras brasileiras, Ronald Kyrmse demorou décadas para convencer a si mesmo de que deveria escrever um livro sobre o Professor, para ajudar as novas gerações a compreender melhor a força e a complexidade que emanam da obra do autor de “O Senhor dos Anéis”.

Em “Explicando Tolkien”, Kyrmse não se limita a cumprir o que diz o título do livro. Além de explicar vários dos elementos formadores da ficção Tolkieniana, o autor monta um verdadeiro quebra-cabeças, abordando os aspectos mais diversos em que essa ficção se desdobrou. No capítulo “Mitos em Três Dimensões”, por exemplo, Kyrmse realiza uma leitura das obras que se passam na Terra-média explorando três das formas com que Tolkien deu uma enorme aparência de realidade ao universo ficcional que criou: a Diversidade, a Profundidade e o Tempo.

Vale a pena ler “Explicando Tolkien” para compreender melhor o porquê do fascínio que “O Senhor dos Anéis” e outras obras do Professor despertam em nós.

Trecho:

Este livro trata, na verdade, da Árvore de Tolkien. Essa denominação, que pessoalmente aprecio muito, deriva de um conto de J. R. R. Tolkien que muitos tomam por uma metáfora de sua própria obra. Segundo o próprio autor, foi escrito em 1938-39,

“quando o Senhor dos Anéis estava começando a se desenrolar e a desdobrar perspectivas de labuta e exploração em uma região ainda incógnita, tão assustadora para mim como para os hobbits. Mais ou menos nessa época havíamos chegado a Bri, e eu não tinha então mais idéia do que eles do que acontecera a Gandalf, nem de quem era Passolargo; e começara a desesperar-me de sobreviver para descobrir. […]

A história só foi publicada em 1947 (Dublin Review). Não foi alterada desde que tomou a forma de manuscrito, muito depressa, certo dia, quando acordei com ela já na mente. Uma de suas fontes foi um álamo de grandes ramos que eu conseguia ver mesmo estando deitado na cama. Foi subitamente podado e mutilado pelo dono, não sei por quê. Agora está derrubado, uma punição menos bárbara para quaisquer crimes de que possa ter sido acusado, tais como ser grande e estar vivo. Não acho que tivesse algum amigo, ou alguém que o lamentasse, exceto por mim e um par de corujas (Tree and Leaf).”

Resenha de Rosana “Shelob”, que é membro da Toca SP do CB desde 2001.


>A Morte de Artur

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MALLORY, Sir Thomas. Thradução de Jane Roberta Lube Conté. Brasília: Thot Livraria e Editora, 1987.

O ciclo Arthuriano compreende todas as narrativas que atravessaram a Europa durante a Idade Média e posteriormente com as histórias de Arthur, Guinevere, Merlin, Lancelot, Nimue e os cavaleiros da Távola Redonda. Tais aventuras estavam repletas de elementos pagãos, Celtas, Saxões, Normandos e se mesclaram a temas cristãos, formando um corpus de lendas em que realidade e mito se confundem.

Estes romances (e que podem inclusive ter dado início à palavra e ao conceito de romance) foram cantados por menestréis em versos nas cortes da Bretanha, hoje parte da França; migraram para a ilha chamada pelos romanos de Britania, misturaram-se com lendas de cada local por onde passaram, e foram recontados em várias formas, chegando aos dias de hoje graças aos cronistas que os registraram em vários momentos da história da literatura de língua inglesa.

Um deles foi Sir Thomas Mallory, personagem controverso de quem se sabe apenas que morreu em 1417, sendo outros fatos de sua vida, e mesmo sua origem, pontos de discussão. Seja como for, a narrativa original é típica de uma era medieval repleta de superstição e religiosidade, de fantástico e de cavalheirismo. Juntamente com a História dos Reis da Bretanha, de Geoffrey de Monmouth, esta coletânea de aventuras das figuras lendárias de Arthur, Merlin e seus contemporâneos tornou-se fonte de quase toda narrativa sobre os tempos do amor cortês e os primórdios da história de Gales e da Inglaterra.

Constam desta excelente tradução, que adaptou com cuidado o inglês arcaico para o português, mantendo as repetições e expressões típicas da época, cinco dos 21 livros do original de Mallory.
É leitura obrigatória para qualquer estudioso da mitologia e das origens da literatura, bem como de todos que apreciam a cultura medieval ou o sabor das narrativas dos tempos em que dragões assolavam a terra, cavaleiros davam a vida por suas amadas e morrer em batalha por seu rei era uma honra e uma obrigação.

Trecho: (…)
Viram que ela cingia uma espada nobre, o que causou grande admiração ao Rei Artur, tendo-lhe ele perguntado:
– Donzela, por que cinges esssa espada? Ela não te convém.
– Explicarei agora – respondeu ela. – Esta espada, que trago à cinta, me causa grande tristeza e inconveniência, pois não me posso livrar dela, a menos que surja um cavaleiro que precisa ser homem excepcionalmente bom nas mãos e nos feitos, e precisa ser homem sem baixeza ou engodo ou traição. (…)
Foi quando Balin tomou a espada pelo cinto e bainha e a retirou facilmente; e quando examinou a espada gostou muito dela. E o rei e os barões admiraram muito Balin, que foi bem sucedido na aventura, e muitos cavaleiros sentiram despeito dele.
– Certamente – disse a donzela – este é um cavaleiro excepcionalmente bom, o maior em dignidade, o melhor e o maior que achei, sem engodo, sem traição ou baixeza e muitas maravilhas fará. Agora, cavaleiro gentil e cavaleiroso, dá-me a espada de volta.
– Não – retorquiu Balin. – Esta espada guardarei, a não ser que me seja tirada à força.
– Bem – voltou a donzela -, tu não és sábio ao ficares com ela e tirá-la de mim, pois com esta espada matarás teu melhor amigo e o homem que mais estimas no mundo, e a espada será a tua destruição.

Resenha de Rosana “Shelob”, que é membro da Toca SP do CB desde 2001.

>Bestiário

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CORTÁZAR, Julio. Tradução de Remy Gorga. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.

Embora nascido na Europa, Julio Cortázar viveu a maior parte de sua vida na Argentina, e é lá que ambienta seus contos, particularmente em uma Buenos Aires nostálgica, inesperada, aterrorizante. Como Borges ou Márquez, o autor transita pelo realismo mágico nesta coletânea de oito contos, obtendo com suas palavras exatas um resultado profundamente perturbador.

Em Bestiário, ele nos conta histórias de amor, relações familiares e amizades que seriam até banais, não fosse a sensação sub-reptícia, que a leitura transmite, de que algo mais está acontecendo além do que as palavras comunicam. Algo que irá fazer a história fugir da banalidade e enveredar por um caminho insólito, talvez cruel, talvez trágico. Em cada conto somos confrontados com o cotidiano de alguém que transita por Buenos Aires e adjacências; esse alguém , contudo, pode a qualquer momento ultrapassar a barreira tênue que separa o óbvio do fantástico.

Talvez seja um casal de irmãos que se deixa levar pela paranóia de que algo tenebroso disputa, cômodo a cômodo, sua casa; ou uma garota que toma um ônibus e se vê assediada por desconhecidos ameaçadores; uma noiva que esconde, entre os sorrisos e os doces, algum segredo enlouquecido; uma casa de tangos que atrai monstros insuspeitos, e quem sabe mortos retornados.

Há animais neste Bestiário, alguns não-descritos – e por isso, talvez mais assustadores – e alguns descritos com uma precisão que beira a loucura, como as inefáveis mancúspias, ou o tigre que percorre em silêncio a casa e cuja presença é preciso evitar educadamente.

Sejam quais forem tais bestas, elas são evidentemente o reflexo das almas das personagens – ou talvez não; talvez estejam, sim, desde sempre ocultas nos meandros dessa Buenos Aires inesperada (que se parece muito com qualquer cidade da América Latina…), esperando a oportunidade para atacar e fazer vítimas insuspeitas.

Trecho: Mudei-me na quinta-feira passada, às cinco da tarde, entre névoa e tédio. Fechei tantas malas em minha vida, passei tantas horas preparando bagagens que não levavam a parte nenhuma, que aquela quinta-feira foi um dia cheio de sombras e correias, porque quando vejo as correias das malas é como se visse sombras, partes de um látego que me açoita indiretamente, da maneira mais sutil e mais horrível. Mas fiz as malas, avisei sua criada que viria me instalar aqui e subi de elevador. Precisamente entre o primeiro e segundo andar, senti que ia vomitar um coelhinho. Nunca lhe contara antes, não pense, porém, que por deslealdade, mas naturalmente a gente não vai ficar explicando aos outros que, de quando em quando, vomita um coelhinho.

Resenha de Rosana “Shelob”, que é membro da Toca SP do CB desde 2001.

>O Trílio Negro

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BRADLEY, Marion Zimmer; MAY, Julian; NORTON, Andre. Black Trillium. Tradução de Rodrigues, Aulyde Soares. Rio de Janeiro: Rocco, 1992.

Magia. O equilíbrio do mundo depende dela. Durante muito tempo, esse equilíbrio foi mantido, pois a Dama Branca, a Arquimaga, fez uso da magia para controlar a tênue paz entre Ruwenda, os países vizinhos e os povos não-humanos que habitam a península até as distantes montanhas, passando pelo perigoso Pântano Labirinto: nyssomus, uisgus, wyvilos. Mas agora tudo parece se romper, pois a Arquimaga se aproxima da morte e sua magia enfraquecida não pôde evitar que os Labornokis invadissem Ruwenda.

Voltrik, o Rei dos Labornokis, tem um aliado temível, o mago Orogastus; e ninguém sabe a extensão de sua sede de poder e de conhecimento. Ruwenda cairá sob o violento ataque e, para restaurar o equilíbrio rompido, a agonizante Arquimaga só poderá contar com as três irmãs gêmeas que são herdeiras do trono ameaçado: Haramis, Kadiya e Anigel. As jovens não sabem, mas possuem poderes ocultos, manifestados através das pétalas negras da Flor sagrada de Ruwenda, o Trílio, que cada uma delas traz consigo num pingente de âmbar.

As três filhas do Rei de Ruwenda terão de separar-se e fugir para não serem torturadas ou mortas, partindo numa busca desesperada em meio aos pântanos, montanhas e rios, entre povos hostis e até antropófagos, até encontrar três misteriosos talismãs. Juntos, esses talismãs ajudarão Hara, Kadi e Ani a desenvolver seus poderes e a se tornarem fortes o bastante para salvar Ruwenda e derrotar Orogastus.

Muito antes que fossem escritas histórias de manipulação da magia, como as de Harry Potter, ou do poder combinado de três irmãs, como em Charmed, O Trílio Negro e suas continuações, O Trílio de Sangue e O Trílio Dourado, nos trouxeram aventuras mágicas repletas de emoção, num mundo fantástico criado por três autoras de fantasia e ficção científica, reunidas por Marion Zimmer Bradley, autora de As Brumas de Avalon e da série Darkover.

Trecho: O manto manchado com o sangue da sua mãe, que envolvia a coroa, pendia ainda do seu ombro. Haramis abriu as pontas e olhou para a Coroa da Rainha com o âmbar que continha o trílio, até a dor nublar seus olhos. Pelo menos Voltrik não tem isto, pensou sombriamente, nem terá enquanto eu viver! Ele matou meus pais, mas eu vivo ainda, e Ruwenda é minha! Conteve as lágrimas. Eu sempre tive certeza de que seria rainha um dia – mas nunca imaginei que seria tão cedo… nem nestas circunstâncias! Espero que a Dama Branca possa me ajudar. Sem dúvida vou precisar de muita ajuda.

Resenha de Rosana “Shelob”, que é membro da Toca SP do CB desde 2001.

>Xógum

>CLAVELL, JAMES. Xógum – A gloriosa saga Do Japão. Rio de Janeiro: Nórdica, s/d

Inícios do século XVII. Um navio inglês naufraga nas costas do Japão. O piloto, John Blackthorne, sobrevive – mas é capturado por japoneses, e se torna uma peça num estranho jogo de poder, em que se confrontam clãs comandados por Daimios adversários, padres jesuítas, comerciantes e piratas de várias nacionalidades – portugueses, espanhóis, holandeses.

Orquestrando o conflito está Toranaga, um poderoso senhor feudal que tem altas ambições e grandes estratégias de guerra em mente. Blackthorne, que passa a ser chamado de Anjin-san, consegue se manter vivo em meio à intriga, apesar dos vários inimigos que angaria, e inicia então uma viagem de conhecimento em que sua cultura européia puritana se debate com a milenar cultura oriental. Não apenas a língua, os costumes, a alimentação e a vida familiar são totalmente opostas ao que ele conhecera; mas o próprio Japão se transforma, os jesuítas estão se alastrando, espalhando a fé cristã nas terras japonesas, e combatendo costumes milenares como a prática do seppukku, o suicídio ritual.

Personagens inesquecíveis povoam esta saga épica, que mostra como a intriga política levou à instituição do Shogunato, ou Xogunato, na Terra do Sol Nascente. Blackthorne, Toranaga, a bela e trágica Mariko e muitos outros revelam esse choque de culturas repleto de samurais e de poemas compostos em meio à guerra e à morte.

Trecho: “Blackthorne esperava no jardim. Agora usava o quimono marrom que Toranaga lhe dera, com espadas ao sash e uma pistola carregada, escondida também sob o sash. Através das apressadas explicações de Fujiko e subseqüentemente pelos criados, aprendera que tinha de receber Buntaro formalmente, porque o samurai era um importante general e
hatamoto, e era o primeiro hóspede na sua casa. De modo que tomara um banho e trocara de roupa rapidamente e se dirigira ao local que fora preparado.”

Resenha de Rosana “Shelob”, que é membro da Toca SP do CB desde 2001.